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La Columna torta e outras torturas

Para ilustrar essa postagem usei as imagens de dois quadros da mexicana Frida Kahlo e uma pintura do americano (fantástico) Lee Price e uma dor nas costas mesmo



Em, 5.1.2011
Por  Pietra Luña



Seletos navegantes, estou INFELIZMENTE impossibilitada de blogar por alguns dias por causa de uma distensão muscular generalizada. Nem a pupila consegue se mexer direito.  As pontas duplas do cabelos estão brigando para ver qual pula primeiro antes de eu cair dura no chão de tanta dor, sem contar que até a sola do pé está solicitando ser palma da mão para ver se pode ser poupada de alguns esforços, do tipo ficar em pé. 


Essa é a minha situação (melhorada) para vocês terem ideia do meu estrago. Ainda assim, como toda pessoa  (addicted  ) empolgada no começo de ano, clone de faxineira,  fui me meter a arrumar estantes num sobe e desce desvairado que a escada achou que os teletubies tinha invadido a área. Sei que foram umas horinhas de trabalho e eu? MORRI tonta e esmagada de dor. 


Então, entrevada na cama, sem computador (pois nem as unhas davam conta, tanto menos os dedos), depois de dois dias sofrendo mais do que piolho fugindo de neocidresolvi desafiar as leis das natureza (que é mais lenta do que minha imaginação e fissura) e fui obedecer às leis dos homens da ciência. 


Num golinho dopei de (Cafeína ... 30 mg Carisoprodol ... 125 mg Diclofenaco sódico .. 50 mg + p punk Paracetamol .. 300 mg) tomei um remedinho  potente (não façam isso, porque automedicação é muito perigoso!) e vi aqui só para não deixar meus milhares de leitores preocupados comigo. Tão logo eu melhore, eu volto para contar mais sobre o que rola nessas ruas (e não ruas, por que pelo visto está difícil sair de casa!) de Brasília. 


Desejem boa sorte aos meus órgãos vitais mais ameaçados fígado e rins (depois de todo os corpo, lógico), pois bula boa adverte. Beijinhos e até... até.... até... até... (ai meu Deus, quantos atés teremos até a próxima edição?) #Meda.

Dieta da chuva

Dieta do Diabo

Em, 4.1.2011
Por  Pietra Luña



Depois das fartas ceias de fim de ano, vem a culpa. Jura a Santa Magreza do Espírito Veronino, ao contrário do que prega a festejante igreja católica, que a comilança de natal e ano novo são coisas do demo para engordar todo mundo e tornar um verão uma espécie de data maldita, com gorduras fritando ao calor dos infernos como o diabo gosta quer. 

Janeiro é o mês dos 4P: das promessas, preces e prescrições. Tem a promessa "nunca mais vou beber e comer desse tanto", tem a prece do emagrecimento do Marcelo Rossi (!?!?) e as prescrições  médicas. e o quarto "P" fica a critério do freguês (ficar puto, pegar todas, meter o pau na vizinha gostosa, ficar perdido, bater punheta, pular a cerca, dar piti, passar fome etc.) 

Na onda do início de ano devagar, as revistecas e jornalicos enchem as bancas com capas milagrosas, mostrando todas as simpatias, previsões mirabolantes para 2011, e, claro, 8.456.676.697 tipos de dietas, uma vez que 94% das mulheres magras se acham gordas. Veja a seguir algumas delas:








Dieta da Chuva

Porém, faltou uma dieta importante, que ainda não sei se emagrece mesmo, embora tenha a mesma característica de passar fome como todas as outras. Eu explico. Há dez dias chove no Distrito Federal, há doze dias meus braços e pernas secretos, que dão conta de toda a casa, saíram de férias. Embora a previsão de que a chuva acabe amanhã, minha fiel secreta(ria) volta apenas no fim do mês. Isso significa que (somado ao fato do patrão ter me dado trabalho para fazer em casa nestas duas semanas) minha geladeira está oca e fria como o tempo de Brasília. Por isso, criei uma nova modalidade: a dieta da chuva.

O mais interessante da dieta da chuva (simples de fazer: ponha no prato o que não há para comer em casa, mexa com a chuva incessante lhe dá muita preguiça e impede de sair nas ruas de Brasília até o mercado, cozinhe tudo no fogo alto da falta de grana para pedir um delivery) é que ela vem acompanhada da dieta da folga.

Dieta da folga

Essa, mais complexa e também chamada de dieta dos restos (ou dos ratos?), consiste em pegar as sobras da ceia (caso você tenha ido em alguma com intimidade para levar uma quentinha) que duram apenas umas 48 horas e passar os próximos dias inventando com os restolhos do armário da dispensa. 

Eu que não tive ceias, por isso não tive perus sobrando nas refeições seguintes, fiquei na seca chuva mesmo. Nessa façanha venho sobrevivendo, segundo contabilidades da despensa, com duas bananas, três pacotes de sódio macarrão instantâneo, duas caixas de suco, uma maça, meio pacote de pão de forma, duas caixas de gelatina, um vidro de palmito, uma lata de leite condensado, uma lata de atum, uma caixa de creme de leite e meio vidro de requeijão. Só.

Até o sol voltar a brilhar nas ruas de Brasília vou criando receitinhas e fazendo contas da minha comida como "No limite". Nesse faz-de-conta, já consegui comer um apfelstrudel (pão de forma e maça na canela com açúcar tostados na frigideira, ahahahah). Claro que comi olhando para uma imagem no computador. Fiz também um "espaguete cacheado ao cream cheese" (nota do tradutor: miojo com requeijão) e bruschettas di tonno (nota do tradutor: torradinhas de atum regados com azeite extravirgem) e assim vamos traduzindo nosso dia a dia parco com muito humor e criatividade antes de o sol nascer. 

Desorganização no desaniversário ou organizando mais um dia de vida


Em, 14.12.2010
Por  Pietra Luña


Há anos que eu não ganhava parabéns pelo meu desaniversário! Recordo nitidamente como eu esperava os 11 especiais dias 14 do ano para comemorá-lo. Era uma brincadeira de meninota, muito divertida, naqueles tempos em que fazer um bolo já era a festa. Bastava organizar uma mesa com a toalha mais nova e limpinha, a melhor louça da casa, assar um tanto de pão de queijo, bater a massa, fazer um brigadeiro de colher, juntar meia dúzia de crush e bidu, chamar os sete amigos da vizinhança. Pronto! Sorriso no rosto e alegria na barriga. O que valia mesmo era o ritual de apagar as velinhas, normalmente na sala de estar, junto dos íntimos; nada que se compare aos espetáculos atuais. 

Quando Patrícia ligou para me cumprimentar com seu "alôoooooooo, amigaaaaaaaaaa! Feliz desaniversáriooooooooo!!!", às 10h, eu estava batendo pernas na W3 sul, com pena do estado caótico da minha morada. Foi ali na 511, a conhecida "rua das ferragens", que rasguei o peito de contentamento e acelerei as emoções dos tempos idos. Bem ali, no meio de pregos, parafusos, dobradiças, cola de madeira, arruelas, cifão, torneiras e outras quinquilharias que servem para não deixar a casa cair. Fiquei tão desconsertada, que o vendedor me ofereceu um banquinho no momento em que eu arregalava a voz ao telefone, com olhar berrante, dizendo: "nãooooooooo! Nãoooooooooooooooooo acreditoooooooooooooo! Você lembraaaaaaaaa dissoooooooooooooooo?!?!?! Nãooooooooooooo! Nãoooooooooooo é possíveeeeeeeeeeel!". Tomei água, gargalhei por dentro e segui de loja em loja, quadra em quadra. Andei muito!

É que depois de criticar Maria dando me conta de quão péssima "mandante de lar" eu sou, resolvi fuçar a casa inteira para ver os reparos necessários e, enfim, fazer o papel que me cabe (não, definitivamente não caibo bem dentro dele mas insisto). Desorganizei tudo à procura dos "crimes" domésticos, cuja culpa é praticamente da minha sem-vergonha preguiça com a cúmplice vista grossa. 

Quanto ao estado da arte, posso afirmar que meu lar estava um rascunho mal traçado! Box do banheiro com algumas rachaduras irritantes (naquele acrílico lindo amarelo açafrão para destacar os azulejos azuis. Tá bom, o ap. é alugado, eu sei); portas de armários emperradas; quatro dobradiças quebradas; dois puxadores sumidos; uma torneira vazando; dois bocais enferrujados; uns cinco tacos do inferno soltos; aspirador de pó com defeito; videocassete idem (é, pode rir que eu ainda tenho um). O fogão não vou comentar, esperarei as "ofertas" de janeiro, pois Maria MANDOU eu trocá-lo urgente, sob pena de não termos mais qualquer assado no almoço.

Depois do sobe e desce tesourinhas, passei na padaria, comprei pão de queijo, guaraná, uma vela e liguei para Maria fazer um bolo. Botamos uma toalha bonita, as porcelanas do casamento, os talheres do faqueiro, os copos da cristaleira e em volta da mesa cantamos os parabéns por mais um dia de casa com a possibilidade de organizar a vida. Dei o primeiro pedaço para Maria.


A pressa é inimiga da conservação



Em, 13.12.2010
Por  Pietra Luña

Segunda-feira, 13. Bem pior do que se fosse uma assustadora sexta. Minha faxineira chegou cantarolando o meteoro do Luan Santana. Trocados os usuais "bom-dia", minha vontade foi entrar em um foguete direto para Saturno, antes de ter um ataque de fúria (ainda mais perigoso nestes meus dias de TPM). Perguntei:

- Maria, você sabe onde está a tampa do liquidificador? É que... Interrompendo, ela disse:
- Sei não senhora!
- Mas... Maria eu nunca mexo nele e é você quem usa todos os dias...
- Não vi não senhora!
- E cadê aquela travessa de barro do conjunto de feijoada?
- Ah, eu não sei não senhora!
- Maria, quem arruma esta casa todos os dias há dez anos?
- Sou eu sim senhora!
- E você não sabe de nada?
- ... 

Maria ficou muda. 

Respirei fundo, raso, sufoquei e nada de me acalmar. 

Lembrei do vaso de porcelana chinesa (de vovó) que ela quebrou, empilhou as peças usando uma cola branca de escola e deixou lá quietinho no mesmo lugar. A blusa de seda, que Jane me trouxe da Europa no ano passado, com uma chamuscada de ferro quente no peito esquerdo (de cortar o coração, com diz o ditado). As peças de roupas claras manchadas de escuro. E... mais um monte de estragos, tudo guardadinho como se nada houvesse. 

São anos e anos, eu ensinando que detesto mentiras, que as pessoas erram e blábláblá, que ela não me deixe levar sustos ao encontrar minhas próprias coisas em estado deplorável, assim "do nada". São anos e anos, eu ficando apressadamente irada às segundas-feiras quando, obviamente, após um fim de semana na cozinha e nos afazeres domésticos, pergunto sobre situações diversas e ela me responde: "não sei não, senhora!" 

Pratos, pires e xícaras lascados nas beiradas, dúzias e dúzias de copos quebrados, botões de eletrodomésticos rachados, soltos, perdidos e  panelas com cabos destruídos... Danos e prejuízos por causa da afobação em terminar o trabalho e da  falta de atenção (ou raiva?). Não sei não, senhora! Não fui não, senhora! Não vi não, senhora! Sei, Maria...

Maria é estabanada, eu sei. Ela não sabe disso não senhora. Mas, é gente boa e da maior confiança. Só não é funcionária padrão, nota dez. Maria é nota 7,0. Melhor que a média, né? 

Foi no final do domingão preguicento, que levei mais um susto. Eu estava faminta de tanto dormir e fui providenciar uma comidinha, até que... Peguei três almofadas, sentei e chorei. Dona de casa ausente é que não sabe o que se esconde por detrás das portas dos armários da cozinha e em suas gavetas esconderijos. (Admito que essa parte do recinto é pouco frequentada por mim, aliás eu a evito). Se eu não sei de nada que acontece na minha casa, por que Maria saberia? Eu sou dona de casa nota 3,0. Bem abaixo da média, né? Sofrível. 

Por isso, a partir de hoje, lanço a máxima: A pressa é inimiga da conservação! Colei uma faixa na porta da cozinha, para mim e para Maria. Tomara que se conserve a relação carinhosa de uma década, sem pressa. Minha ou dela. 




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