Perdendo dinheiro aos quilos!



Em, 20.06.2011
Por  Pietra Luña


A metade do ano já se foi e isso me deixa tensa. Primeiro, porque eu praticamente não realizei um terço do que eu gostaria para 2011. Segundo, porque isso me dá a sensação de que eu já não consigo mesmo realizar  minhas propostas. Terceiro, porque estou me enchendo (de tudo e de mim) a cada dia.  Triste isso! Porém, o pior do dia foi mesmo  ver quanto dinheiro o gordo gasta. Eu explico.

Agora que já cheguei aos 95 quilos (IMC 37) posso afirmar que a obesidade é um treco praticamente incontrolável quando não se tem controle. Dificultei o óbvio? Ora, se tivesse controle a pessoa não engordava. Não importam as causas, se hormonais,  emocionais, cerebrais, o fato é que o sujeito não consegue evitar que a gordura comece a se alojar em seu corpo, pois se conseguisse não se tornava obeso. Entendeu? 

Ah, mas vão lá dizer que a pessoa é abusada! Sim, deve ser mesmo, pois se fosse contida era magra, né? Dãa! Claro que digo isso sem contar outros problemas que o próprio organismo é capaz de criar para si mesmo e jogar a responsabilidade só sobre o "gordinho" é crueldade. Há situações na vida que são tão claras que chegam a cegar, feito a claridade de Brasília ao meio-dia. No meu caso, o peso entrou quando o cigarro saiu. Quase simples assim.

Mas o assunto deste texto é vestuário e não a análise dos ponteiros da minha balança. Vamos aos pontos cardeais: 1) Há quatro dias minha  empregada anunciou que faltavam cabides para as roupas novas; 2) meu guarda-roupa estava tão lotado que parecia sofrer de obesidade mórbida e os cabides já não conseguiam se movimentar lá dentro; 3) Tive que comprar várias blusas para aguentar o frio de deserto que nos abate nesta época junina/julina e gastei uma fortuna; 4) Fui obrigada a fazer faxina a contragosto.

Quando Maria falou da situação do meu armário, eu achei que era exagero. Dei aquela quase ignorada e falei para ela comprar mais cabides na loja de R$ 1,99, que qualquer dia eu dava um jeito na lotação. Ocorre que, hoje, quando fui sair para trabalhar, ao procurar uma calça para combinar com a blusa-extra-big-ex-gg-nova  azul, dei de cara com uma blusinha fofa que comprei em São Paulo no meio do ano passado. A situação dela? Etiqueta de preço ainda pendurada na gola e tão espremida, tão espremida, tão espremida no meio da superlotação do roupeiro (mais parecia metrô paulistano) que pensei ser tamanho PP de tão tímida entre as outras. E, linda! 

Vesti a blusa nova antiga e deixei a blusa nova recente sobre a cama. Dei uma olhada no espelho, gostei do visual. Dei uma olhada na cama, não gostei do que vi. A blusona me observava e em caixa alta gritava "se está com tanta roupa nova no armário para que me comprou, hein burrona?" Com dificuldade me meti no cabideiro e achei mais quatro roupas intactas só ali naquele pedacinho de varal. 

Eu sentei na cama, em frente ao cenário bizarro e observei inconsolável parte do rombo na minha conta bancária em forma de tecidos pendurados e esmagados uns nos outros, quase saltando pelas portas feito surfistas urbanos

No meio da tragédia, baixou em mim a nossa-senhora-dos-ácaros e comecei a tirar, aos espirros, todas as roupas que não cobrissem adequadamente o meu corpinho de quase 100kg. Fui tirando uma por uma, até que quase metade do volume ficou para fora. Ou seja, havia dois guarda-roupas em um. Ou seja [2], duas pessoas com corpos completamente distintos podiam se servir do mesmo armário: eu-2011 e eu-2007 (já que as roupas eu-antes-dos-quarenta, aquelas eu-antes-dos-35 e as remotas eu-antes-de-engravidar tinham ido para o brechó há tempos!). 

No sofá, a pilha de roupas ia crescendo tal como o ponteiro da balança em época de natal e ano novo. Os cabides (agora sobrando aos montes) faziam festa espalhados pelo chão e o meu pensamento lá no BB. Uns dois mil? Quatro? Talvez sete ou oito mil reais (ou mais) estavam ali para serem dobrados e guardados (doados?), enquanto outros tantos mil reais (divididos em parcelas a perder de vista) estavam entrando no guarda-roupa-de-inverno. Lembrei o quanto preciso de trabalhar para fazer essas quantias existirem na minha conta. Ai, ai! 

O saldo do dia (além da deprê)? Eu que sou uma gorda há pouco tempo (desde 2008), tenho duas opções: 1) manter-me gorda, no peso atual (se é que consigo), para não ter que comprar roupas de outra numeração ou 2) emagrecer (se é que consigo) até o manequim anterior que acabo de tirar do armário. Sei que perder muitoooos quilos não está nos meus planos por, também, dois motivos: 1) teria que comprar muitas roupas de uma numeração que não tenho mais em casa e que não sei se manteria por muito tempo e 2) alguns gordos se arrependem de emagrecer por causa das pelancas que sobram por toda parte.

Sei que sou adicta (ou compulsiva), podia pelo menos aprender a usar isso para ganhar dinheiro. Ai, ai!



Update: Para mim, a maior dificuldade sendo gorda é passar em lugares apertados e as dores que aparecem aqui e ali. Já entre ser gorda ex-fumante ou magra fumante, tenho certeza que prefiro os quilos a mais no corpo do que a dependência do cigarro (pela dificuldade de fumar livremente e incomodar os outros). 

Update 2: Um salve para a finada e ex-famosa gorda Wilza Carla

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