Sexo e pés, na dúvida de título melhor


Em, 11.12.2010
Por  Pietra Luña


Nunca tive uma boa relação com meus pés. Quando menina vivia descalça, usava calçados os mais abertos possíveis e brincava de encavalar os dedos. Na adolescência, na mesma intensidade e pavor em que passei a odiar os meus cabelos, comecei a ver os meus "órgãos de locomoção" (vulgarmente apelidados de patas) como as maiores aberrações do meu corpo. Eram pedaços estranhos de mim, que cresciam desproporcionadamente, de forma rápida e que mereciam ser escondidos para sempre. Via-os como pranchas magras, ossudas e compridas. Um terror! Ainda mais quando eu ouvia que alguns homens tinham suas  taras por pés femininos

Contraditoriamente, eu odiava àqueles que poderiam ser os meus maiores aliados: os tênis! Oh, coisas feias, bizarras e medonhas eram o bamba e o kichute, minhas opções daquela época de poucas ofertas em Brasília e vacas magras em casa. Logo mais, apelei para as antigas melissas (com meias, é lógico!) e para as alpargatas de lona com solado de corda. Foram anos nessa parceria pés cobertos e molhados, pois as aberturas da melissa e a sola das alpargatas deixavam a água da chuva entrar e ensopar tudo! 

Poucos anos depois, eu estava formada, trabalhando no serviço público, usando os clássicos scarpins de salto alto (um número menor para os meus pés ficarem como os das gueixas japonesas, portanto mais femininos) e, consequentemente, fui alimentando diariamente um imenso joanete. Só deixei de usar sapatos fechados e menores do que os meus pés depois que eu engravidei. Como engordei horrores, os pés ganharam três números! Um a mais para compensar o "um a menos de sempre" e dois a mais para compensar o inchaço e o sobrepeso. Opção? Chinelos e rasteiras. Muitas sandalinhas vieram e, assim, meus pés se libertaram para sempre! 

Com os dedos à mostra, joanete à mostra, veias à mostra, calcanhar à mostra, unhas à mostra e pés completamente nus pude curtir outros modelitos da indústria "calçadeira". Tudo isso porque, mulher adulta, percebi que os cabelos e os pés podiam ficar em outro plano, beeem mais longe do foco principal. Ou seja, minhas pontas devolvidas às pontas, né? (Cabelos x pés!). Passei a dar mais importância ao meio, ao conteúdo, ao ventre. Eta fase boa e livre! 

Foi bom recordar tudo isso quando uma chiquérrima amiga, que mora no outro lado do mundo, veio agora passar férias em Brasília e me convidou para conhecer o novo shopping - Iguatemi, no qual tão cedo não iria por ser uma tortura como falei outro dia aqui. Outra surpresa foi conhecer a loja Capodarte, famosa em São Paulo, há 20 anos no nobre bairro Jardins. 



Nós fuçamos, calçamos, andamos de um lado para outro na loja. A vendedora e a gerente (que nos deixou fotografar tudo na loja, tema para outro post), simpaticíssimas, nos atenderam com muitos sorrisos, disposição e profissionalismo (requisitos essenciais ao comércio, embora raros na prática). E eu que não ia comprar absolutamente nada, sai de lá com sacolas nas mãos e sapatilhas novas para os pés. A douradinha de matelassê é simplesmente básica, chique e sem igual para acomodar pezinhos cansados. Fora o sexo, há prazer maior  para o corpo do que o conforto? Eu recomendo! (Ambos!)


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