Dai-me um torpedo




Em, 2.2.2011
Por  Pietra Luña



Quando estamos em um dia ruim, como se diz por aí, nada melhor do que algo para adoçar os ânimos. Mais fácil, nessa hora, é apelar para os doces (hehehe)! Um chocolate ali, um sorvetinho acolá. Contudo, para não fugir da dieta calórica, vamos apelar para uma "engorda calorosa". Em vez de um cornetto que tal um torpedo? O único problema é que a mensagem não dá para comprar na padaria. Quem dera!

Comigo acontece o seguinte, posso estar na maior baixa que um SMS de uma pessoa querida (isso está parecendo frase de vidente da esquina: "faço torpedos e trago pessoa amada em 7 dias e casamento em 13 luas") faz cócegas no coração e o sorrisão vem logo para o rosto. É igual magia: imediatamente modifica-se a vibe da alma.

Ao som de Gilberto Gil e Ana Carolina, com desejo e saudades, deixo aqui um registro especial para os torpedinhos safados do mais inesquecível torpedeiro da minha vida, o Claudio, na hora do almoço e nas tardes de quarta ou quinta. Quantas vezes, ao terminar de ler suas mensagens no meu celular, eu ri sozinha no meio da rua? Eles vinham depois de uma discussão familiar, antes de uma consulta médica, durante uma reunião chata de trabalho, ao acordar de uma sesta, no engarrafamento, no meio de um texto sem fim.

Era tão viciante que eu mal esperava chegar o meio da semana para ter na tela do meu telefone móvel: "Oi gostosa, te quero agora!. "Vamos nos ver mais tarde?" ou "Estou na pista". Pintava aquela vontade quase inadiável. Há alguns meses ele não aparece. Sumimos no emaranhado de linhas telefônicas e ausência de sinais, falta de cobertura, dedos endurecidos de rotina e ossos curvados pelo tempo.

Mas eu guardei alguns torpedos para reler e sempre os encontro quando recebo "sua caixa de mensagens está cheia" e tenho que deletar aquosos recadinhos tais como "ok", "estou chegando", "sua conta está disponível", "a reunião será as 10h", "a arezzo está liquidando", "você é cliente especial com 30% de desconto durante janeiro". Continuo rindo por dentro quando reencontro Claudinho, mesmo que em forma de torpedo.

Nesta tarde pintou um gtalk, não era ele. Era um rapaz que só conheço virtualmente. Eu lambi a alma como quem devora um cornetto. Fiquei feliz e sorri para a tela de computador como quem retribui um carinho. Ele não sabe disso. "Tantos personagens, drama, ilusões/Tantas noites de agonia de luar/ Lares, bares, ruas, becozecos de trovões/   Hoje sou eu que venho aqui sonhar/ Chegar até você, lhe despertar/ Quando o dia finalmente clarear / Possa meu torpedo lhe atingir o coração". Nem eu sabia que, num certo tempo, MSN, gtalk e SMS fariam tanta diferença no peito, até mais que um sorvete ou chocolate.



A emoção do cornetto ao torpedo



Desde que o samba começou
O bamba sempre usou
Variações inúmeras pra dar 
Conta de tantas emoções, de todas as paixões
De todas as paisagens do lugar


Tantos personagens, drama, ilusões
Tantas noites de agonia de luar

Lares, bares, ruas, becos, ecos de trovões
Sempre a cada dia 

o samba 

oooô 

meu amor
Hoje eu mesma venho aqui passar por bamba
Só 

me valer, 
dessa longa tradição do grã compositor
Proclamando seu viver
Dando a sua dor, asas pra voar 

Desde que o samba começou
Alguém sempre sonhou
Hoje sou eu que venho aqui sonhar
Possa meu samba, minha dor, 

meu canto, meu amor
Chegar até você, lhe despertar
 

Já neste primeiro instante da manhã
Quando o dia finalmente clarear
Possa meu torpedo lhe atingir o coração 
Ao nascer do dia 
o samba 

ooooô 

meu amor
Hoje eu mesma venho aqui cantar meu samba
Só 

me valer, 
dessa eterna possibilidade de alcançar 
pelas asas da canção
A distância não, 
não vai  participar

Já neste primeiro instante da manhã
Quando o dia finalmente clarear
Possa meu torpedo lhe atingir o coração
Ao nascer do dia 
o samba 

ooooô 

meu amor
Hoje eu mesma venho aqui cantar meu samba
Só 

me valer, 
dessa eterna possibilidade de alcançar 
pelas asas da canção
A distância não, não vai nos separar 

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