Brasília: cidade camaleônica




Em, 02.12.2010
Por  Pietra Luña

Quem mora na capital federal sabe o quanto se pena com a seca. Ela é obstinada e pinta de vermelho os lugares por onde passa. Traz consigo o calor e a fúria do fogo. Os parques são incendiados, as pessoas adoecem e a baixa umidade castiga paisagem e gente, como se diz por aí. Ficar de três a quase seis meses sem chuva não é fácil. Mas como tudo tem dois lados, a natureza oferece seu espetáculo com Ipês floridos, coloridos, e belíssimos crepúsculos. 

Ver Brasília seca nestes anos 2010 não se compara ao "cinza" (marrom mesmo de terra escavada ) do cimento que se erguia na década de 60, quando foi plantada no "meio do nada". Conhecida pela arquitetura de Niemeyer e as estruturas de concreto armado, a cidade mantém uma roupagem sóbria com seus prédios e monumentos pintados de branco ou quase incolores sobre as linhas planas do plano piloto e do eixo monumental. Quem colore suas cenas é o tempo: de seca e de chuva. De marrom e de verde. 

Estamos na fase vicejante, vendo o mato crescer nas quadras e nas encostas do eixão. Não se pode negar que vivemos cercados de árvores de várias espécies, que harmonicamente se misturam ao ambiente artificial, florindo o mundo do asfalto. Todavia, assim como a secura, a chuvarada também traz suas mazelas alaga, esburaqueia o asfalto,  adoece. É a natureza e seus ciclos que Brasilia bem sabe, pois é uma urbe mutante: verdejante cidade vermelha erguida de cinza.




"Verde, as matas no olhar, ver de perto

Ver de novo um lugar, ver adiante

Sede de navegar, verdejantes tempos

Mudança dos ventos no meu coração
Verdejantes tempos
Mudança dos ventos no meu coração"


2 comentários:

  1. Obrigado pela visita ao blog. Ele ainda está em formação. Também gostei do seu. Vou compartilhar seus textos com os leitores do diadiabrasilia. Abraço!

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