Se o dia tem uma cara é a minha...




Em, 12.12.2010
Por  Pietra Luña

Ouvi na fila do mercado uma moçoila comentando com sua amiga: sexta-feira é a cara da pegação! Pensei com meus pacotes de omo e de arroz tio joão, e dia tem cara? Qual é a cara da segunda? E da quinta? Sábado? Analisei um pouco mais e fui tentar imaginar "the sunday´s face"!

Recortei registros da infância,  colei com os juvenis e somei um pouquinho dos atuais, com medo de imaginar os futuros. O mosaico dominical foi tomando forma fila de cinema com tumulto de igreja, gosto de macarrão com frango assado, ao som de Faustão e Silvio Santos, com bebedeira de futebol e churrasco no clube ou no condomínio. Tudo junto e misturado, como se diz por ai. 

Parei, olhei o cenário familiar, respirei fundo e tive um sensação de cansaço tão grande que resumi: domingo tem cara de canseira! Imediatamente, questionei o pacote de miojo (a cara dos solteiros) -  naquele momento flertando como ovo, mas então está tudo errado?! Se a semana inteira tem jeito de excesso de afazeres e trabalheira, por que o domingo - dia de folga - não dá a tal folga? Quase decretei: fins de semana cheios, "never more"! 

Aproveitei que os parentes tinham um programinha de domingo na casa da sogra, despachei homens, mulheres, idosos, crianças, mochilas, obrigações e enterrei a dona de casa. Enfim, sós! Eu, cama, lençol e travesseiro (por vezes o ventilador aderia ao conjunto). Dormi o domingo todo! Aleluia! Com esse quinteto amoroso, cheiroso e macio, que não dispenso, fiz um verdadeiro "gang bang" dominical, indicado apenas para os corajosos, que sabem que dormir não é perda de tempo. 

Acordei às 23h e vaticinei: eu preciso urgentemente redescobrir  não esquecer que a emoção "de ver a vida acontecer como um dia de domingo!" é do meu íntimo e não me sentir culpada se o dia tiver a também a cara da minha vontade. O desejo de estar comigo. E só. 



Um comentário:

  1. para mim, não eram os dias que tinham cara de alguma coisa, mas certas coisas me faziam(ainda fazem) lembrar determinados dias (ou parte desses dias).Uma delas, a transmissão de jogo de futebol aos berros pelo rádio da casa do vizinho no domingo à tarde. Isso era para mim o retrato exato do paradeiro, do não ter o que fazer, período propício para observação do vôo das moscas varejeiras que ficavam paradas no ar como se estivessem no mar pegando jacaré. Aí era só chegar mais perto e...tium! um tapa bem dado e olha a mosca morta(quase sempre)no chão.
    Ficava imaginando o locutor se descabelando, quase engolindo o microfone devido à rapidez do jogo. Até que vi um mesmo jogo pela tv mas com o som do rádio.Alguém estava enganando a torcida:som e imagem não se entendiam.Desliguei ambos. Até por que, nunca apreciei jogos de futebol pelo rádio ou tv, exceto em copas do mundo. mas ainda hoje, escuto em algum lugar numa tarde modorrenta de domingo,um locutor das antigas narrando em 78 rotações um jogo que na realidade se desenvolvia em 33 e 1/3 rotações.Varejeiras que se cuidem.

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