Dieta da chuva

Dieta do Diabo

Em, 4.1.2011
Por  Pietra Luña



Depois das fartas ceias de fim de ano, vem a culpa. Jura a Santa Magreza do Espírito Veronino, ao contrário do que prega a festejante igreja católica, que a comilança de natal e ano novo são coisas do demo para engordar todo mundo e tornar um verão uma espécie de data maldita, com gorduras fritando ao calor dos infernos como o diabo gosta quer. 

Janeiro é o mês dos 4P: das promessas, preces e prescrições. Tem a promessa "nunca mais vou beber e comer desse tanto", tem a prece do emagrecimento do Marcelo Rossi (!?!?) e as prescrições  médicas. e o quarto "P" fica a critério do freguês (ficar puto, pegar todas, meter o pau na vizinha gostosa, ficar perdido, bater punheta, pular a cerca, dar piti, passar fome etc.) 

Na onda do início de ano devagar, as revistecas e jornalicos enchem as bancas com capas milagrosas, mostrando todas as simpatias, previsões mirabolantes para 2011, e, claro, 8.456.676.697 tipos de dietas, uma vez que 94% das mulheres magras se acham gordas. Veja a seguir algumas delas:








Dieta da Chuva

Porém, faltou uma dieta importante, que ainda não sei se emagrece mesmo, embora tenha a mesma característica de passar fome como todas as outras. Eu explico. Há dez dias chove no Distrito Federal, há doze dias meus braços e pernas secretos, que dão conta de toda a casa, saíram de férias. Embora a previsão de que a chuva acabe amanhã, minha fiel secreta(ria) volta apenas no fim do mês. Isso significa que (somado ao fato do patrão ter me dado trabalho para fazer em casa nestas duas semanas) minha geladeira está oca e fria como o tempo de Brasília. Por isso, criei uma nova modalidade: a dieta da chuva.

O mais interessante da dieta da chuva (simples de fazer: ponha no prato o que não há para comer em casa, mexa com a chuva incessante lhe dá muita preguiça e impede de sair nas ruas de Brasília até o mercado, cozinhe tudo no fogo alto da falta de grana para pedir um delivery) é que ela vem acompanhada da dieta da folga.

Dieta da folga

Essa, mais complexa e também chamada de dieta dos restos (ou dos ratos?), consiste em pegar as sobras da ceia (caso você tenha ido em alguma com intimidade para levar uma quentinha) que duram apenas umas 48 horas e passar os próximos dias inventando com os restolhos do armário da dispensa. 

Eu que não tive ceias, por isso não tive perus sobrando nas refeições seguintes, fiquei na seca chuva mesmo. Nessa façanha venho sobrevivendo, segundo contabilidades da despensa, com duas bananas, três pacotes de sódio macarrão instantâneo, duas caixas de suco, uma maça, meio pacote de pão de forma, duas caixas de gelatina, um vidro de palmito, uma lata de leite condensado, uma lata de atum, uma caixa de creme de leite e meio vidro de requeijão. Só.

Até o sol voltar a brilhar nas ruas de Brasília vou criando receitinhas e fazendo contas da minha comida como "No limite". Nesse faz-de-conta, já consegui comer um apfelstrudel (pão de forma e maça na canela com açúcar tostados na frigideira, ahahahah). Claro que comi olhando para uma imagem no computador. Fiz também um "espaguete cacheado ao cream cheese" (nota do tradutor: miojo com requeijão) e bruschettas di tonno (nota do tradutor: torradinhas de atum regados com azeite extravirgem) e assim vamos traduzindo nosso dia a dia parco com muito humor e criatividade antes de o sol nascer. 

4 comentários:

  1. Oi, amei seu blog.
    Faltou a dieta da gelatina. olha ela aqui http://mdemulher.abril.com.br/dieta/reportagem/casos-de-sucesso/nova-dieta-gelatina-399432.shtml

    beijocas,

    Márcia Lima

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  2. Obrigada pela visita e dica! bjs Pietra

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  3. Pietra!seu post bem humorado me tirou do chão...já passei por isso e foi facil imaginar sua situação hahahahah.Dietas,quem não inventa uma?
    abraços

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