Pra que chorar? "Tears dry on their own"



Em, 25.1.2011
Por  Pietra Luña



Dando uma volta pela quadra vi uma garotinha (três anos, talvez) esgoelando-se no melhor estilo Edson Cordeiro. Alguma insatisfação a debulhou. Imediatamente, remeti-me ao passado e tentei recordar das minhas lágrimas. Conta a lenda (porque tudo que dizem sobre nós é praticamente uma lenda, quando os narradores são da família. Mães, principalmente!), que eu era uma menina chorona, exagerada e dramática (?!); características que atualmente reúno em mim como "intensa". 

Pois bem, já que a história "me revela" com tons tão fortes, fui procurar na memória alguma cena de desespero ostensivo. Resultado? Não achei. Lembro-me bem das dores caladas, dos choros engolidos, das mágoas retidas. Claro que eu devo ter feito berreiros, mas não registrei. Ao contrário, quando olho a infância não vejo quase nada. São poucos os rastros e são desbotados; o que não significa inexistentes no tempo das coisas, porém desaparecidos do tempo das emoções. 

Aquele buaaaaaá estendido, agudo e irritante (detesto choro esganiçado) mobilizou tantas sensações, que meu pensamento não conseguia se desviar do "ato de chorar". Quantas vezes escuto as terríveis frases "engula o choro", "homem não chora", "mulheres são choronas". Assim como, conhecemos tão bem as "lágrimas de crocodilo". No entanto, chorar faz bem à saúde e, cumprindo suas funções,  acalma e comunica. Alivia a angústia e libera a tensão.  Chantageia também. 

Pensando bem, as lágrimas são recursos mais do que simplesmente orgânicos, pois são culturais e se bem utilizadas se transformam em excelentes ferramentas dos astutos para praticarem suas manipulações e trocas. Curiosamente, durante a madrugada Maurício do BBB11 falou sobre o desespero que leva às lágrimas. Disse algo do tipo "estou sentindo aquela dor igual a da criança que chora convulsivamente quando pensa que o pai a esqueceu na escola ou quando a gente leva um fora da namorada e o chão se abre sem você ter ideia do amanhã". Ele dizia que já teve esses choros desesperados. Eu, também, por outros motivos. Ele hoje está no paredão. Eu, também, por outras prensas. Será que ele vai chorar? Eu não, porque na virada dos 40 estou mais para a Amy Whinehouse, com suas lágrimas secas. Ao longe, ainda ouço a voz da menininha ecoando por sua juventude. 






"Chororô, chororô, chororô
É muita água, é mágoa
É jeito bobo de chorar
Chororô, chororô, chororô
É mágoa, é muita água, a gente pode se afogar"
Gilberto Gil

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