Roupas reviradas, objetos perdidos


Em, 3.1.2011
Por  Pietra Luña


Nunca pensei que uma passagem de ano pudesse render tantas histórias. Muitos amigos viajaram, parte da família também. Euzinha tive que ficar na cidade do concreto para trabalhar, já que voltei de curtas férias na semana passada. Não tinha expectativas para que a meia-noite fosse especial, interessante ou divertida. Estava bem na onda do Zeca, deixando a vida me levar. Até que...

Tenho umas amigas que se dizem loucas. Cada uma com suas "loucuras" especiais e específicas. Quando se trata de sexo, ai é que a coisa fica mais peculiar ainda. Uma delas, durante meses treinou "xixi à distância" para impressionar um admirador da prática da "chuva dourada". Outra, transa virtualmente com dois irmãos e eles obviamente não sabem. A terceira fica histérica quando passa muito tempo sem transar e bebe até cair em busca de um amante eventual. Tem também aquela que nunca transa com medo de se envolver. Eu sei que ouço de tudo e venho testemunhando as aventuras dessa mulherada na faixa de 35 a 50 anos. Sem esquecer de uma que está fixada em experimentar um swing

Aqui em Brasília não são muitos os lugares, aparentemente, disponíveis para essas moçoilas aventureiras, descoladas, independentes e fogosas. Aliás, já faço um apelo para quem souber de boas casas noturnas que tenham uma frequência legal, com uma galera interessante, que deixe nos comentários os endereços para a gente checar e fazer um post aqui. 

Voltando ao tema, repete a lenda que aquilo que for feito no dia da passagem de um ano para o outro se repetirá o ano inteiro (acho que por isso tanta gente beija na boca no final da contagem regressiva). Assim como dizem que "beber sem brindar (ou brindar sem beber) traz a praga de dez anos sem transar (ou foder, dependendo da rima)". Sei que fiquei curiosa em saber o que minhas honradas amigas fizeram na virada do dia 31/12/2010 para 1/1/2011. A melhor de todas foi a do objeto não identificado.

Depois de uma festa de categoria duvidosa, segundo ela, chegou em sua casa pela manhã acompanhada de um moreno, alto, bonito, sensual, ex-caso de uma (ex?) amiga e amigo de infância do irmão dela. Balacobaco vai, balacobaco vem, dorme e acorda, o dia cai. O homem, 12 horas depois, pega as roupas pelo chão, se compõe e amarrotado vai de táxi. Ela toma banho e sai também. 

No dia seguinte, arrumando o tapete, ela vê por debaixo da cama um treco escuro, com uns três centímetros, meio volumoso. Estranha. Não podia ser uma barata, avaliou. Ainda sim, encheu-se de coragem, abaixou e colocou o dedo. O objeto entrou um pouco mais. O treco anda? Assustou-se. Sem desistir, puxou a coisa com um chinelo. Enfim, o troço preto veio rodopiando sobre o taco de madeira até ser nocauteado pelo guarda-roupas (Putz, quase dupliquei o "r" aqui neste armário em troca do hífen!). 

Pimba! Era uma "poção mágica" (tem quem chame de técnica ninja) da adolescência. Eram as três últimas balinhas de um pacotinho de halls preto. Ela riu sozinha imaginando aqueles dropes escorregando do bolso da calça jeans do rapaz e se perdendo na reviravolta das roupas reviradas na passagem do corpo para o chão.

Quando uma balinha daquelas, simples, ela pensou, bem que poderia ter escapado para a boca do moço, e ele chuparia até ela sentir os fogos, os rojões, as estrelinhas da virada em si. No fim, ela tirou o papel e chupou sozinha em frente ao computador, diante do MSN. Mas não foi desta vez que explodiu ao romper do ano. Será que a praga se estendeu para 2011 inteiro? Ai, coitada!

2 comentários:

  1. Oi Pietra, adorei o seu blog. Seus textos são bem escritos!! Uma delícia de ler! Sem dúvida voltarei mais vezes. Seja bem-vinda a blogosfera.
    Beijos e um ótimo 2011

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